Beach Tênis e Ombro: Como Evitar Lesões e Manter a Performance com Segurança

Beach Tênis e Ombro: Como Evitar Lesões e Manter a Performance com Segurança

O beach tênis conquistou milhares de adeptos no Brasil nos últimos anos, sendo praticado tanto por atletas quanto por pessoas em busca de lazer e saúde. No entanto, esse crescimento também trouxe um aumento expressivo nos casos de lesões no ombro, especialmente entre os praticantes iniciantes ou que treinam com frequência sem o preparo físico adequado. Isso porque o esporte exige movimentos repetitivos com os braços elevados, o que impõe grande carga sobre a articulação do ombro — uma das mais complexas e móveis do corpo humano.

Alguns movimentos característicos do beach tênis estão entre os principais responsáveis pela sobrecarga no ombro. O saque e o smash, por exemplo, exigem rotação forçada do braço, geralmente em alta velocidade. Golpes rápidos com desaceleração brusca, movimentos constantes acima da linha dos ombros (os chamados movimentos “overhead”) e sessões de treino muito intensas, sem a preparação física necessária, aumentam significativamente o risco de lesão.

Entre as lesões mais comuns no beach tênis estão a tendinite e a bursite subacromial, causadas pelo atrito e inflamação nos tecidos que envolvem a articulação. Também são frequentes as lesões no manguito rotador — especialmente no tendão do músculo supraespinal — que podem variar de pequenas inflamações a rupturas parciais ou completas. Outra lesão importante é a SLAP, que compromete o labrum (estrutura de cartilagem que estabiliza o ombro) e pode provocar dor intensa e sensação de instabilidade. Além disso, alguns praticantes desenvolvem instabilidade glenoumeral, principalmente aqueles com maior frouxidão ligamentar ou que repetem movimentos com técnica inadequada.

Vários fatores podem aumentar o risco de lesões, como a ausência de um aquecimento correto antes da prática, o desequilíbrio muscular entre os músculos do deltoide, da escápula e do manguito rotador, falhas na técnica de execução dos movimentos e o excesso de carga em treinos e campeonatos sem descanso adequado. É comum que atletas recreativos queixem-se de dor no ombro após algumas semanas de prática intensa, sem se darem conta de que há um desequilíbrio muscular por trás do problema.

Felizmente, a prevenção é totalmente possível — e essencial. Realizar uma avaliação ortopédica e funcional antes de iniciar a prática frequente do esporte é um bom começo. O fortalecimento dos músculos estabilizadores do ombro, como os do manguito rotador e da escápula, é fundamental para suportar as exigências do jogo. Também é importante incluir exercícios de propriocepção (controle e percepção do movimento), alongamentos específicos para o ombro e atividades que mantenham a boa mobilidade da articulação.

Quando a dor aparece, o ideal é procurar um ortopedista especializado em ombro para diagnóstico preciso. O tratamento conservador, com fisioterapia voltada ao reequilíbrio muscular e controle da inflamação, costuma trazer ótimos resultados. Em alguns casos, infiltrações com medicamentos ou ácido hialurônico guiadas por imagem podem ser indicadas para aliviar a dor. A cirurgia fica reservada para situações em que há lesões completas ou instabilidades frequentes que não melhoram com o tratamento clínico.

Em resumo, o beach tênis pode (e deve) ser uma prática segura, prazerosa e saudável. Mas, como todo esporte, exige atenção ao corpo e preparo adequado. Dor no ombro nunca deve ser ignorada. Com diagnóstico precoce e acompanhamento especializado, é possível continuar jogando com qualidade, evitando afastamentos e mantendo a performance.

Movimentos que mais sobrecarregam o ombro

  • Saque e smash com rotação forçada;
  • Pancadas rápidas com desaceleração brusca;
  • Movimentos acima do nível da cabeça (overhead);
  • Repetição intensa sem preparo adequado.

Lesões mais comuns em jogadores de beach tênis

  • Tendinite e bursite subacromial;
  • Lesão parcial ou completa do manguito rotador (especialmente supraespinal);
  • Lesão SLAP (labrum superior anterior e posterior);
  • Instabilidade glenoumeral por frouxidão ligamentar.

Fatores de risco

  • Falta de aquecimento adequado;
  • Desequilíbrio muscular entre deltoide, manguito e escápula;
  • Técnica inadequada de jogo;
  • Excesso de carga em treinos e competições sem recuperação adequada.

Prevenção de lesões

  • Avaliação ortopédica e funcional prévia;
  • Fortalecimento dos músculos do manguito rotador e da escápula;
  • Exercícios proprioceptivos e de controle motor;
  • Alongamento e mobilidade do complexo escapular.

Tratamento conservador e cirúrgico

  • Fisioterapia com enfoque em reequilíbrio muscular;
  • Infiltrações guiadas por imagem em casos refratários;
  • Cirurgia apenas em casos de lesões completas ou instabilidades recidivantes.

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